Era para ser só uma festa que alguns amigos estavam indo para se divertir e ali, por amigos em comum, foi quando se viram pela primeira vez.
Após algum tempo, por intermédio de um casal de amigos em comum, as conversas por redes sociais se iniciaram.
No começo o assunto era somente medicina, plantões, provas de residência. Logo evoluíram para áudios longos, risadas e a tentativa de marcar um chopp.
Só que então veio a pandemia.
Lockdown. Hospitais lotados. Residência. Plantões. Provas se aproximando.
Medo. Cansaço. Incerteza.
Conversavam com frequência, mas nunca conseguiam se encontrar devido as rotinas apertadas.
Até que uma pequena folga apareceu. Devido um afastamento por COVID, o primeiro encontro ...
E assim foi o primeiro date. Ana Cecília nos últimos dias de isolamento e Fabrício aguardando por esse momento há muitos meses.
Não houve festa, jantar em restaurante chique…
Só uma química que parecia compensar todos os meses de espera.
E ali começou o que nunca mais teria fim.
Ana Cecília morava no Tatuapé, zona leste.
Fabricio morava no Brooklyn, zona sul.
Para quem conhece São Paulo, sabe que isso é praticamente um relacionamento interestadual. Tipo Minas Gerais com Goiás .
Mas nos raros momentos de folga, atravessavam a cidade inteira só para passar algumas horas juntos. Às vezes um jantar simples. Às vezes um vinho rápido antes do plantão do dia seguinte. Às vezes apenas dormir abraçados por três horas e acordar às 5h.
E nunca pareceu pouco.
Descobriram que tinham os mesmos hobbies:
viagens planejadas, cervejas, vinhos, a vontade de ter um cachorrinho e construir uma família.
Ana Cecília, na época futura endocrinologista, conquistou a família do Fabrício com uma naturalidade assustadora. Virou oficialmente “a médica oficial da família”.
Vieram as viagens, os momentos juntos, os planos…
Hoje moram juntos, dividem a mesma profissão, agenda, vida e sonhos. Os cachorrinhos já possuem, dois, Antônio e Flora, peludos, douradinhos, super expressivos e que exalam amor.
E agora vão se casar.
Não porque precisam ou foram obrigados…
Mas porque, depois de atravessar pandemia, provas, plantões, quilômetros de trânsito e a distância entre Tatuapé e Brooklyn… escolheram todos os dias, permanecer e continuar caminhando juntos.
E como bons médicos, sabem:
Alguns diagnósticos são difíceis.
Alguns prognósticos são incertos.
Mas e o amor?
É crônico.
Progressivo.
E absolutamente sem indicação de alta.